Vitória em Barcelona encerra jejum de quase dois anos do heptacampeão e reduz a distância para o líder Kimi Antonelli no Mundial de F1 2026
Lewis Hamilton finalmente comemorou no lugar mais alto do pódio vestindo as cores da Ferrari. No domingo, 14 de junho, o britânico venceu o Grande Prêmio de Barcelona-Catalunha e encerrou um jejum que já durava quase dois anos, desde sua última vitória pela Mercedes, no GP da Bélgica de 2024. A pergunta que ficou no ar entre os fãs da Fórmula 1 é simples, mas carregada de expectativa: esse triunfo marca de fato a virada de Hamilton na Scuderia, ou foi apenas um lampejo isolado em uma temporada dominada pela Mercedes?
A resposta começa a se desenhar pelos números. Foi a 106ª vitória da carreira do heptacampeão, que ampliou seu próprio recorde de maior vencedor da história da categoria. Aos 41 anos, Hamilton também se tornou um dos pilotos mais velhos a vencer uma corrida de F1 em décadas, e a vitória em Montmeló foi a sétima dele naquele traçado, superando uma marca histórica que pertencia a Michael Schumacher. Coincidentemente, foi justamente em Barcelona que Schumacher, também heptacampeão, venceu sua primeira corrida pela Ferrari, há exatamente três décadas.
Como a Ferrari planejou a virada na estratégia da corrida
A vitória não nasceu de sorte pura, embora um fator externo tenha sido decisivo no desfecho. Hamilton largou da segunda posição no grid, atrás de George Russell, e a Ferrari optou por uma estratégia mais arrojada que a da Mercedes: três paradas nos boxes, contra duas dos rivais. Esse plano exigia que o carro do britânico tivesse ritmo suficiente para recuperar o tempo perdido nas trocas extras de pneus, algo que a Scuderia vinha buscando ao longo da temporada com o pacote de evolução técnica trazido para a etapa espanhola.
O momento decisivo aconteceu na volta 40, quando Fernando Alonso, da Aston Martin, parou na pista e provocou a entrada do safety car virtual. A Ferrari aproveitou a oportunidade para realizar a última parada de Hamilton a um custo de tempo muito menor do que o normal, permitindo que ele retornasse à pista na liderança, com pneus mais novos que os de Russell. A partir daí, o britânico administrou a vantagem com segurança até a bandeirada, cruzando a linha de chegada com quase 20 segundos de margem sobre o piloto da Mercedes. Charles Leclerc, companheiro de equipe que larguinha em décimo após problemas na classificação, fazia uma corrida de recuperação quando um problema hidráulico o tirou da disputa nas voltas finais, um desfecho amargo que dividiu as emoções do dia em Maranello.
O que essa vitória representa para a disputa do título em 2026
Antes de Barcelona, o campeonato parecia caminhar para o domínio isolado de Kimi Antonelli, da Mercedes, vencedor das cinco corridas anteriores. A vitória de Hamilton, somada ao abandono do italiano por problemas mecânicos a poucas voltas do fim, mudou a leitura da temporada. O britânico subiu na classificação geral e reduziu a diferença para a liderança, reabrindo uma disputa que muitos analistas já consideravam decidida em favor do jovem piloto da Mercedes.
Para a Ferrari, o resultado tem peso ainda maior. A equipe não vencia uma corrida desde o GP do México de 2024, quando Carlos Sainz ainda defendia as cores vermelhas, e via a concorrência abrir distância nos primeiros meses da temporada 2026, marcada pela estreia do novo regulamento técnico e pelas mudanças no sistema de unidades de potência. Após pódios consecutivos no Canadá e em Mônaco, o triunfo em Barcelona confirma uma trajetória de evolução que a diretoria da equipe, com Fred Vasseur no comando, vinha apontando como prioridade desde a contratação de Hamilton. Em declarações após a corrida, o britânico destacou o trabalho da fábrica em Maranello e agradeceu à torcida pelo apoio durante a temporada de adaptação. A expectativa agora se volta para o Grande Prêmio da Áustria, no Red Bull Ring, marcado para o fim de semana de 26 a 28 de junho, quando Ferrari e Mercedes voltam a se enfrentar com a luta pelo título mais aberta do que parecia há poucas semanas.
A vitória em Barcelona devolveu à Fórmula 1 um ingrediente que faltava à temporada 2026: a sensação de disputa real pelo título entre mais de um piloto. Hamilton mostrou que, mesmo após uma estreia frustrante na Ferrari, ainda é capaz de competir pelas posições de frente quando o carro acompanha seu talento. Para os torcedores da Scuderia, o resultado em Montmeló reaviva a esperança de ver o heptacampeão somar mais conquistas vestindo vermelho, mas o próprio piloto reconheceu que o trabalho está apenas começando. A confirmação de que Barcelona foi o início de uma sequência, e não um episódio isolado, deve vir já nas próximas etapas do calendário.
Fontes: CNN Brasil, Folha de Londrina, ISTOÉ, Band, Metrópoles
Autor: Diego Rodríguez Velázquez