BYD prepara sedã elétrico gigante com autonomia de mais de mil quilômetros

Diego Velázquez
6 Min de leitura

Da Han chega ao Salão de Chengdu em agosto com até 764 cv e versão híbrida plug-in capaz de rodar 370 km sem usar gasolina

A BYD está prestes a apresentar um dos carros mais ambiciosos de sua história recente. Trata-se do Da Han, também chamado de Grande Han, um sedã elétrico que promete percorrer até 1.008 quilômetros com uma única carga, ao menos no otimista ciclo chinês CLTC. O modelo será revelado oficialmente no Salão de Chengdu, que acontece entre os dias 21 e 30 de agosto deste ano, e chega para ocupar o topo da família Dynasty, ficando posicionado acima do Han já vendido no Brasil por R$ 559.900.

Apesar do nome parecido, o Da Han não é simplesmente uma atualização do modelo atual. A BYD desenvolveu um carro maior, mais espaçoso e claramente pensado para uma categoria superior, o que já desperta a curiosidade de quem acompanha o avanço da marca chinesa no segmento de sedãs de luxo eletrificados.

Dimensões que superam picapes populares

O novo sedã mede 5,25 metros de comprimento, 1,99 metro de largura e 1,51 metro de altura, além de contar com generosos 3,13 metros de entre-eixos. Para efeito de comparação, essas dimensões superam as de picapes consolidadas no mercado brasileiro, como a Toyota Hilux e a Ford Ranger, o que dá uma boa ideia do quanto o Da Han se distancia do conceito tradicional de sedã compacto ou médio.

Na parte interna, embora a BYD ainda não tenha revelado todos os detalhes da cabine, informações iniciais indicam um painel digital de 12,3 polegadas, uma central multimídia de 17,3 polegadas e outra tela de 12,3 polegadas voltada para o passageiro dianteiro. O carro também deve contar com um head-up display equivalente a uma projeção de 50 polegadas, embora a fabricante pretenda manter alguns comandos físicos na parte inferior do painel, um detalhe cada vez mais raro entre os lançamentos chineses recentes.

Autonomia elétrica e motorização de até 764 cv

O número que mais chama atenção aparece na versão elétrica equipada com bateria de 102,3 kWh. Conforme a configuração escolhida, a autonomia declarada pode variar entre 820, 850, 880, 970 e até 1.008 quilômetros. Antes de imaginar uma viagem de São Paulo a Brasília sem precisar recarregar, porém, vale lembrar que esses valores seguem o ciclo chinês CLTC, historicamente mais otimista do que os ciclos WLTP, usado na Europa, e PBEV, adotado pelo Inmetro no Brasil. Na prática, a expectativa é de que o Da Han fique entre 600 e 700 quilômetros de autonomia real.

Quanto ao desempenho, a configuração elétrica de entrada utiliza um motor instalado no eixo traseiro, capaz de entregar 503 cv sozinho. Já a versão com tração integral soma um segundo motor de 200 kW na dianteira ao propulsor de 370 kW na traseira, resultando em 764 cv combinados. A BYD ainda não divulgou o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h, mas considerando a potência total e a tração nas quatro rodas, não seria surpresa encontrar um número abaixo dos quatro segundos.

Versão híbrida plug-in e visual inspirado em dragões

Para quem considera uma autonomia elétrica de quatro dígitos algo exagerado para o dia a dia, a BYD também vai oferecer o Da Han em versão híbrida plug-in. Essa configuração combina um motor 1.5 turbo de 156 cv com um propulsor elétrico de 272 cv, apoiado por uma bateria de 54,4 kWh que garante até 370 quilômetros de autonomia puramente elétrica no ciclo chinês WLTC, sem precisar acionar o motor a combustão.

No visual, o carro utiliza a linguagem chamada Dragon Face, já conhecida da família Dynasty. Na dianteira, faróis finos se conectam por uma faixa iluminada que a própria BYD compara aos bigodes de um dragão, enquanto o para-choque traz entradas de ar verticais e uma abertura trapezoidal central. Na traseira, a lanterna atravessa toda a carroceria com elementos inspirados no tradicional nó chinês, repetindo uma assinatura visual já vista em outros modelos da marca.

Considerando o histórico recente da BYD no Brasil, com investimentos crescentes em fábrica própria e uma linha cada vez mais ampla de elétricos e híbridos, não é descartada a chegada futura do Da Han ao mercado nacional, ainda que sem data confirmada até o momento. Para quem acompanha a evolução dos carros elétricos chineses, o lançamento reforça uma tendência que já vem se consolidando, a de sedãs cada vez maiores, mais potentes e com autonomias que competem diretamente com os melhores modelos elétricos do mundo.

Fontes consultadas:
Auto+ TV

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