CEO da montadora afirma que veículos chineses já avançam na Europa com preços menores e maior competitividade tecnológica
O avanço das montadoras chinesas no mercado internacional voltou ao centro do debate da indústria automotiva. Em entrevista divulgada nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, o CEO da Hyundai Motor, José Muñoz, afirmou que os Estados Unidos podem enfrentar uma expansão significativa de veículos chineses caso não mantenham medidas de proteção ao mercado. Segundo ele, o movimento já pode ser observado em países europeus, onde marcas chinesas vêm ampliando sua participação com veículos vendidos a preços inferiores aos de concorrentes tradicionais. (Reuters)
Muñoz destacou que a competitividade chinesa não está relacionada apenas aos preços. O executivo também chamou atenção para a velocidade de desenvolvimento tecnológico das fabricantes do país, especialmente em áreas como veículos elétricos, baterias e sistemas de assistência à condução. Ao mesmo tempo, a Hyundai anunciou mudanças em seu próprio cronograma para tecnologias de direção avançada.
Carros chineses ganham espaço na Europa
De acordo com Muñoz, veículos chineses podem ser encontrados em alguns mercados europeus com preços entre 30% e 40% inferiores aos de modelos concorrentes. O avanço ocorre mesmo em um cenário no qual a União Europeia adotou tarifas e mecanismos de preço mínimo para determinados veículos elétricos produzidos na China. (Reuters)
Os dados citados pela Reuters mostram que a participação de marcas chinesas nas vendas de veículos novos na União Europeia ultrapassou 9% no primeiro semestre de 2026. No Reino Unido, onde não foram adotadas tarifas semelhantes às aplicadas pela União Europeia, a participação das marcas chinesas chegou a 15% dos novos registros, segundo dados do setor automotivo britânico. (Reuters)
O cenário também tem levado fabricantes chineses a buscar estratégias para produzir mais perto dos consumidores. A União Europeia discute regras de conteúdo local para veículos elétricos, enquanto empresas chinesas avaliam investimentos industriais no continente. Para as montadoras tradicionais, a competição passou a envolver simultaneamente preço, tecnologia, escala de produção e velocidade de lançamento de novos modelos.
Hyundai vê risco de expansão no mercado americano
Nos Estados Unidos, a entrada de veículos elétricos chineses permanece limitada por tarifas que chegam a aproximadamente 100%, segundo a Reuters. Muñoz afirmou que essas barreiras ajudam a reduzir a pressão sobre as fabricantes instaladas no país, mas avaliou que a indústria americana precisará acompanhar de perto a evolução das empresas chinesas. (Reuters)
O executivo também citou o avanço das marcas chinesas no mercado europeu como referência para o que poderia ocorrer nos Estados Unidos em um cenário de menor proteção comercial. A discussão envolve não apenas os preços dos automóveis, mas também a capacidade das empresas chinesas de desenvolver rapidamente novas plataformas, baterias e sistemas eletrônicos.
A possibilidade de uma expansão chinesa nos Estados Unidos também foi mencionada por outros executivos do setor. Segundo a Reuters, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou anteriormente que a indústria deveria se preparar para uma eventual entrada mais significativa de fabricantes chineses no mercado americano nos próximos cinco a dez anos. (Reuters)
Montadora também revisa planos para direção autônoma
Além da competição internacional, a Hyundai anunciou uma mudança em seus planos para sistemas avançados de assistência ao motorista. A empresa adiou para o fim de 2029 o lançamento de veículos equipados com sua tecnologia proprietária de condução Level 2++, que anteriormente tinha previsão para o fim de 2027. (Reuters)
Enquanto desenvolve sua própria tecnologia, a montadora pretende trabalhar com a Nvidia para lançar veículos equipados com sistemas Level 2+ e Level 2++ a partir de 2028. A parceria permitirá à Hyundai utilizar tecnologias externas durante o período de desenvolvimento de suas próprias soluções. (Reuters)
A decisão mostra como a disputa tecnológica está modificando as estratégias das montadoras. Sistemas de assistência à condução, inteligência artificial, baterias e eletrificação passaram a fazer parte da competição global ao lado de fatores tradicionais, como preço, desempenho e design.
O CEO da Hyundai também afirmou que a empresa pretende manter, no longo prazo, o desenvolvimento interno de tecnologias consideradas estratégicas. A companhia continuará buscando parcerias quando necessário, mas pretende desenvolver internamente componentes considerados relevantes para sua estratégia, especialmente baterias e sistemas de condução.
O avanço das fabricantes chinesas, portanto, ocorre em um momento de transformação da indústria automobilística. A expansão dos veículos elétricos, a evolução dos sistemas de assistência e a redução dos custos de produção estão alterando a dinâmica de competição entre empresas de diferentes países.
Para consumidores, a maior presença de marcas chinesas significa uma oferta mais diversificada de modelos e tecnologias. Para as montadoras tradicionais, o cenário aumenta a necessidade de investimentos em eletrificação, software e novas tecnologias automotivas, enquanto governos discutem políticas comerciais para equilibrar competição, produção local e acesso aos mercados.
Fonte: Reuters