CFMOTO dispara entre novas marcas de motos no Brasil e chega a 1,4 mil emplacamentos em 2026

Caroline Westridge
11 Min de leitura

Fabricante chinesa abre vantagem sobre Moto Morini e Voge, enquanto Ibex 450 ganha espaço entre as maxitrails brasileiras.

O mercado brasileiro de motocicletas está recebendo uma nova geração de fabricantes dispostas a disputar espaço com marcas já consolidadas, e a CFMOTO começa a se destacar nesse movimento. Entre janeiro e agosto de 2026, a fabricante chinesa acumulou 1.403 motocicletas emplacadas no Brasil, desempenho superior ao de outras entrantes recentes, como Moto Morini e Voge. O resultado chama ainda mais atenção porque os registros da CFMOTO começaram efetivamente apenas nos últimos meses: foram duas unidades em abril, 54 em maio e um salto para 463 em junho, seguido por 402 em julho e 482 em agosto. A CFMOTO Ibex 450 aparece como protagonista dessa expansão e já responde por boa parte do volume registrado pela marca. O avanço ocorre em um momento favorável para o setor de duas rodas, que alcançou 205.190 emplacamentos em agosto e continua crescendo no país. Para quem acompanha motos, a dúvida agora é se a CFMOTO conseguirá transformar esse início acelerado em presença permanente no competitivo mercado brasileiro.

Quanto a CFMOTO já vende no Brasil e como ela se compara às novas marcas?

Os números de 2026 colocam a CFMOTO à frente de duas outras fabricantes que desembarcaram recentemente no mercado brasileiro. De janeiro a agosto, foram 1.403 unidades emplacadas pela CFMOTO, contra 415 da Moto Morini e 130 da Voge. A comparação precisa considerar que as operações começaram em momentos diferentes: a italiana Moto Morini iniciou sua atuação ainda em 2025, enquanto CFMOTO e Voge começaram a registrar volumes relevantes apenas em 2026. Mesmo com menos meses de vendas, a fabricante chinesa abriu uma vantagem considerável entre essas novas participantes. Somente em agosto, foram 482 motos da CFMOTO, enquanto a Moto Morini registrou 64 e a Voge chegou a 91 unidades. O resultado colocou a CFMOTO na 15ª posição entre as marcas de motocicletas no mês, com aproximadamente 0,23% do mercado nacional.

O volume ainda é pequeno quando comparado às gigantes do setor, mas precisa ser analisado dentro do estágio atual da operação. A Honda, por exemplo, permaneceu isolada na liderança brasileira em agosto, respondendo por cerca de 64% dos emplacamentos, enquanto a Yamaha ficou próxima de 14,7%. A CFMOTO, portanto, ainda está distante das marcas de grande volume e não ameaça essa liderança no curto prazo. O ponto relevante está na velocidade com que a fabricante começou a construir sua base depois da chegada oficial de seus produtos. A rede também está em desenvolvimento: segundo levantamento publicado pelo MOTOO, a CFMOTO chegava a nove concessionárias em agosto, diante de oito pontos da Moto Morini e três da Voge. Para uma marca nova, aumentar a capilaridade da rede será fundamental para transformar curiosidade inicial em vendas consistentes.

O cenário geral do mercado também favorece a expansão. Segundo dados da Fenabrave, o Brasil registrou 205.190 motocicletas emplacadas em agosto, crescimento de aproximadamente 3% sobre julho e de 10,6% na comparação com agosto de 2025. Entre janeiro e agosto, foram 1.578.909 unidades, avanço de cerca de 12,1% sobre igual período do ano anterior. Isso significa que a CFMOTO está entrando em um mercado que não apenas é grande, mas continua crescendo. Para novas fabricantes, esse ambiente cria oportunidades em nichos nos quais consumidores procuram alternativas às marcas tradicionais, especialmente quando existe combinação competitiva de preço, equipamentos, desempenho e tecnologia.

Por que a CFMOTO Ibex 450 virou a principal responsável pelo crescimento?

Entre os modelos oferecidos pela fabricante, a CFMOTO Ibex 450 tornou-se o destaque comercial. A trail acumulou 1.091 emplacamentos até agosto de 2026, enquanto toda a CFMOTO registrou 1.403 motocicletas no mesmo intervalo. Somente em agosto, a Ibex 450 chegou a 368 unidades, volume semelhante às 370 registradas em julho. Pelo ranking acumulado da Fenabrave, a motocicleta entrou na décima posição entre as maxitrails mais emplacadas do país em 2026. A colocação anual ainda reflete o fato de que rivais tiveram praticamente oito meses completos para acumular registros, enquanto a CFMOTO começou a ganhar volume mais recentemente. Quando apenas agosto é observado, o desempenho da Ibex fica mais expressivo e a colocaria em terceiro lugar na categoria, atrás da Royal Enfield Himalayan 450 e da Honda NX 500.

O interesse pela Ibex 450 pode ser explicado também por sua proposta mecânica. A motocicleta utiliza motor bicilíndrico paralelo de 449 cm³, com potência declarada de 44 cv a 8.500 rpm e torque máximo de 4,4 kgf.m a 6.250 rpm. A transmissão possui seis marchas e embreagem assistida e deslizante, enquanto o conjunto de suspensão inclui garfo dianteiro invertido KYB com 200 mm de curso e ajustes de compressão e retorno. Na traseira, há sistema multi-link também fornecido pela KYB, com ajustes de retorno e pré-carga. Essa combinação posiciona a moto em uma categoria que vem despertando bastante interesse entre motociclistas interessados em viagens, uso misto e aventuras sem necessariamente migrar para modelos maiores e mais caros.

Outro indicador importante está na procura pelas unidades disponibilizadas pela fabricante. No fim de agosto, a CFMOTO abriu seu quarto lote de reservas de 2026, com aproximadamente 500 motocicletas, incluindo CL-C 450, CL-C 450 Bobber, Ibex 450 e Ibex 700. Segundo a empresa, o lote foi encerrado em cerca de três minutos, enquanto o portal registrou milhares de acessos simultâneos. A fabricante também informou que pretende abrir uma nova rodada de reservas durante setembro e ampliar o volume disponível após aumentar sua capacidade produtiva. Esse movimento ajuda a explicar por que os emplacamentos ainda podem não representar toda a demanda existente: para uma operação nova, disponibilidade de motocicletas e tamanho da rede são fatores que limitam o número de unidades que efetivamente chegam às ruas.

O crescimento da CFMOTO pode mudar o mercado brasileiro de motos?

A chegada da CFMOTO faz parte de uma transformação mais ampla no mercado nacional. Durante décadas, o setor brasileiro ficou extremamente concentrado em poucas fabricantes, especialmente Honda e Yamaha, mas novas empresas começaram a conquistar nichos específicos. Royal Enfield ganhou relevância entre motos de média cilindrada e estilo clássico, Bajaj ampliou rapidamente sua participação e outras marcas asiáticas passaram a enxergar o Brasil como mercado estratégico. Agora, CFMOTO e Voge acrescentam concorrência principalmente em categorias nas quais tecnologia, equipamentos e relação entre preço e desempenho pesam bastante na escolha. A CFMOTO ainda representa uma parcela muito pequena dos emplacamentos nacionais, mas o desempenho inicial mostra que existe espaço para novas opções quando o produto encontra um público interessado.

Para o motociclista, mais fabricantes podem representar maior variedade de modelos e pressão competitiva sobre preços e equipamentos. Entretanto, comprar uma motocicleta de uma marca recém-chegada exige observar fatores que vão além da ficha técnica. Quantidade e localização das concessionárias, disponibilidade de peças, custo das revisões, garantia, seguro e capacidade de atendimento no pós-venda precisam entrar na conta. Uma moto pode oferecer motor potente e uma lista extensa de equipamentos pelo preço, mas a experiência de propriedade depende também da estrutura construída pela fabricante ao longo dos anos. Esse será provavelmente um dos principais testes da CFMOTO no Brasil conforme sua frota aumenta e mais proprietários passam a depender da rede para revisões e manutenção.

Os próximos meses mostrarão se os números atuais representam apenas uma demanda inicial reprimida ou o começo de uma expansão sustentada. A Ibex 450 já demonstrou capacidade de competir em volume mensal com modelos conhecidos entre as maxitrails, enquanto a CFMOTO passou de apenas 54 registros em maio para 482 em agosto. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de motos continua crescendo e abriu espaço para fabricantes que até pouco tempo tinham presença praticamente inexistente no país. Para quem está considerando uma CFMOTO, a evolução das vendas é um sinal importante de aceitação, mas deve ser acompanhada pelo crescimento da rede e do suporte pós-venda. Se conseguir equilibrar disponibilidade, preços competitivos, produtos atraentes e atendimento ao proprietário, a fabricante chinesa poderá deixar de ser apenas uma novidade para se tornar uma participante relevante do mercado brasileiro de duas rodas.

Fontes:

  • MOTOO — CFMOTO, Voge e Moto Morini: qual vende mais no Brasil? Publicada em 4 de setembro de 2026. É a principal fonte para os 1.403 emplacamentos da CFMOTO, 415 da Moto Morini, 130 da Voge e os dados sobre concessionárias. (MOTOO)
    Acessar matéria do MOTOO
  • MOTOO — CFMOTO Ibex 450 estreia no ranking da Fenabrave. Confirma 1.091 unidades acumuladas da Ibex 450 e 368 emplacamentos somente em agosto de 2026. (MOTOO)
    Acessar dados da CFMOTO Ibex 450
  • Webmotors / dados Fenabrave — motos mais vendidas em agosto. Confirma 205.190 motocicletas emplacadas em agosto, crescimento de 3% sobre julho e de 10,6% sobre agosto de 2025, além dos rankings por segmento. (Webmotors)
    Acessar levantamento de vendas de agosto
  • Webmotors / Fenabrave — ranking das marcas em agosto. Confirma a CFMOTO na 15ª posição, com 482 emplacamentos no mês, além das participações de Honda e Yamaha no mercado brasileiro. (Webmotors)
    Acessar ranking das marcas
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