Recall Jeep e Ram atinge 7,2 mil veículos no Brasil; veja modelos afetados e o que fazer

Caroline Westridge
10 Min de leitura

Wrangler, Gladiator Rubicon e Ram 1500 são convocados por problemas envolvendo direção eletro-hidráulica e cintos de segurança traseiros.

Proprietários de veículos Jeep e Ram precisam ficar atentos a novas campanhas de recall anunciadas pela Stellantis no Brasil. As convocações abrangem 7.282 veículos, considerando unidades do Jeep Wrangler, Jeep Gladiator Rubicon e Ram 1500 de diferentes anos/modelo, e envolvem problemas que podem comprometer a segurança dos ocupantes. Nos modelos Jeep, a preocupação está relacionada ao circuito elétrico da bomba da direção eletro-hidráulica, que pode apresentar superaquecimento e, em situações extremas, princípio de incêndio. Na Ram 1500, a campanha está ligada à possibilidade de fixação inadequada dos cintos de segurança do banco traseiro, reduzindo a capacidade de retenção dos passageiros em determinadas situações. Os reparos previstos nas campanhas são gratuitos, e proprietários devem consultar o chassi para descobrir se o veículo está efetivamente incluído. A convocação também serve de alerta para quem comprou um desses modelos usado e pode desconhecer a existência de um recall pendente.

Quais Jeep Wrangler, Gladiator e Ram 1500 estão envolvidos no recall?

A primeira campanha envolve 1.472 veículos da Jeep comercializados no Brasil. Segundo a Stellantis, estão incluídas determinadas unidades do Jeep Wrangler dos anos/modelo 2021 a 2025 e do Jeep Gladiator Rubicon 2022 a 2025. O fato de determinado carro pertencer a um desses anos/modelo, porém, não significa automaticamente que ele esteja convocado, já que a confirmação depende do intervalo de chassis informado pela fabricante. Por isso, proprietários precisam realizar uma consulta individual antes de procurar uma concessionária. A medida é importante principalmente para veículos adquiridos no mercado de usados, nos quais o atual proprietário pode não ter recebido diretamente a comunicação inicial da montadora.

Nos modelos Jeep, a campanha está relacionada ao circuito elétrico da bomba da direção eletro-hidráulica. Conforme o comunicado da fabricante, existe a possibilidade de entrada de contaminantes no conector elétrico da bomba, condição que pode causar superaquecimento. Em circunstâncias extremas, o problema pode resultar em princípio de incêndio, criando risco aos ocupantes e a terceiros. A solução prevista envolve inspeção e reparação do componente conforme a condição encontrada no veículo. Mesmo que o Wrangler ou Gladiator não apresente qualquer sinal perceptível de defeito durante a condução, o proprietário de uma unidade abrangida deve realizar o procedimento preventivo determinado pela campanha.

A segunda convocação é numericamente maior e envolve 5.810 unidades da Ram 1500 dos anos/modelo 2021 a 2026. Nesse caso, a fabricante identificou uma possível condição inadequada na fixação dos cintos de segurança destinados aos passageiros do banco traseiro. O problema pode comprometer a capacidade de retenção do ocupante e, consequentemente, elevar o risco de ferimentos em uma colisão ou situação que exija atuação do sistema de segurança. Somadas as duas campanhas, Jeep e Ram chegam aos 7.282 veículos convocados no mercado brasileiro. São problemas diferentes e, por isso, o proprietário deve verificar especificamente qual procedimento corresponde ao seu modelo e número de chassi.

Como saber se o carro tem recall e o que o proprietário precisa fazer?

O primeiro passo para quem possui um Wrangler, Gladiator Rubicon ou Ram 1500 dentro dos anos/modelo abrangidos é consultar o número do chassi. Essa verificação pode ser realizada pelos canais oficiais das respectivas marcas e também pelos serviços disponibilizados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A consulta é importante porque campanhas de recall normalmente atingem intervalos específicos de produção, e não necessariamente todos os automóveis de determinado modelo fabricados durante um ano. Dessa forma, simplesmente comparar modelo e ano não é suficiente para confirmar que o veículo precisa do reparo. O número de identificação individual do automóvel é a referência adequada para eliminar essa dúvida.

Outra possibilidade é utilizar a Carteira Digital de Trânsito (CDT), que concentra diferentes informações relacionadas ao veículo e pode apresentar avisos sobre campanhas de recall pendentes. Para quem comprou um carro usado recentemente, essa verificação merece atenção especial, pois o automóvel pode ter sido convocado quando ainda estava registrado em nome de outro proprietário. Consultar campanhas pendentes também é uma prática interessante antes da compra de um usado, ao lado da análise do histórico de manutenção, documentação, quilometragem e eventuais registros de sinistros. O recall acompanha o veículo, portanto uma mudança de proprietário não elimina a necessidade de realizar o reparo determinado pela fabricante.

Caso o chassi esteja incluído, o proprietário deve entrar em contato com uma concessionária autorizada da Jeep ou da Ram e realizar o agendamento. Conforme informado pela Stellantis, os serviços relacionados às campanhas são gratuitos, incluindo peças e mão de obra necessárias para a correção do problema. A fabricante estima aproximadamente 30 minutos para execução dos procedimentos, embora o período total de permanência na concessionária possa variar de acordo com o atendimento e a disponibilidade de componentes. É recomendável confirmar essas condições no momento do agendamento e não esperar que o veículo apresente sintomas para procurar assistência, especialmente porque recalls são justamente ações preventivas destinadas a eliminar riscos identificados antes que provoquem ocorrências.

Por que esse recall importa até para quem pretende comprar Jeep ou Ram usado?

Campanhas como essa mostram por que consultar recalls deve fazer parte da rotina de qualquer proprietário, mesmo quando o automóvel aparentemente funciona sem problemas. Um recall não significa que todas as unidades convocadas apresentarão obrigatoriamente o defeito identificado, mas indica que a fabricante encontrou uma condição potencial capaz de afetar a segurança ou o funcionamento adequado do veículo. No caso atual, os componentes envolvidos tornam a atenção especialmente necessária: a direção eletro-hidráulica está diretamente relacionada ao funcionamento dos modelos Jeep, enquanto os cintos traseiros da Ram 1500 fazem parte do sistema de proteção dos passageiros. Ignorar a convocação significa continuar utilizando um veículo que pode permanecer exposto ao risco que motivou a campanha.

A questão também interessa ao crescente mercado brasileiro de SUVs, picapes e veículos usados premium. Wrangler, Gladiator e Ram 1500 são modelos que podem permanecer muitos anos em circulação e passar por diferentes proprietários durante sua vida útil. Quanto mais antigo for o veículo, maior a possibilidade de o atual dono não ter acompanhado uma convocação realizada anteriormente. Antes de fechar negócio, portanto, compradores podem consultar a existência de recalls pendentes utilizando os dados do automóvel. Uma unidade com campanha aberta não precisa necessariamente ser descartada como opção de compra, mas o comprador deve confirmar quais reparos precisam ser realizados e providenciar o atendimento gratuito na rede autorizada.

Para quem já possui um dos veículos envolvidos, a orientação prática é simples: consultar o chassi, confirmar se existe campanha pendente e agendar o serviço caso necessário. Não é preciso esperar por ruídos, luzes no painel ou alterações no comportamento do automóvel, porque determinados problemas de segurança podem permanecer sem sintomas evidentes até ocorrer uma situação crítica. Também não há motivo para recorrer a soluções improvisadas em oficinas independentes quando o reparo previsto no recall é oferecido gratuitamente pela fabricante. Com milhares de unidades envolvidas e questões relacionadas a componentes de segurança, a convocação reforça uma regra válida para qualquer motorista brasileiro: avisos de recall devem ser tratados como parte importante da manutenção e do histórico do veículo.

Fontes:

Compartilhe este artigo: