Como especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi observa que avaliar uma equipe operacional deveria ser simples: mede-se o que ela entrega e pronto. Na prática, é aí que começam os erros. O número que parece objetivo esconde escolhas subjetivas sobre o que contar, e a métrica mal desenhada premia exatamente o comportamento que o gestor não queria estimular. Uma avaliação malfeita não é só inútil: ela orienta o time na direção errada.
Avaliação de desempenho em operações críticas tem um agravante. Errar na medida não custa só um bônus injusto, custa segurança. Nesse quesito, equipes cobradas apenas por velocidade aprendem a cortar caminho, e o caminho cortado em segurança costuma ser o procedimento que existia justamente para evitar o pior.
Métricas operacionais que medem o esforço, não o resultado
A armadilha mais comum é escolher a métrica pela facilidade de coleta. Contar quantas rondas foram feitas é simples; avaliar se foram feitas com atenção é difícil. Então mede-se a quantidade e presume-se a qualidade. O resultado é previsível: a equipe otimiza o número visível e negligencia o que não é contado. Métricas operacionais mal escolhidas medem esforço aparente, não resultado real, e a diferença entre os dois é onde os problemas se acumulam.
Ernesto Kenji Igarashi aponta que o número que sobe sozinho, sem a realidade acompanhar, é o primeiro sinal de alerta. Quando o painel fica verde e a sensação de que algo não vai bem persiste, a métrica está medindo a coisa errada.
Por que uma meta única sempre acaba sendo burlada?
Ernesto Kenji Igarashi comenta que, quando toda a avaliação se concentra em um único indicador, ele deixa de ser medida e vira alvo. E todo alvo é manipulável. Se o que conta é o tempo de resposta, o tempo de resposta melhora, mesmo que seja às custas de registros incompletos ou de riscos ignorados para bater o cronômetro.
Por que avaliar uma equipe por uma única métrica dá errado?
Porque um indicador isolado vira meta a ser batida a qualquer custo, e a equipe passa a otimizar o número em vez do objetivo real. Nesse caso, as métricas equilibradas, que se contrabalançam, evitam que melhorar um lado piore outro em silêncio.

A saída não é abandonar os números, é equilibrá-los. Velocidade medida junto com precisão. Produtividade medida junto com incidentes. Quando duas métricas que se tensionam são avaliadas ao mesmo tempo, fica difícil trapacear em uma sem que a outra denuncie. O painel deixa de ser enganável.
Feedback não é o mesmo que avaliação de fim de ano
Outro erro recorrente é concentrar todo o retorno em um evento anual. A avaliação vira um ritual burocrático, distante dos fatos que deveria julgar, e o feedback que poderia corrigir um comportamento em tempo real chega meses depois, quando já virou hábito. Gestão de pessoas em operação não funciona por temporada.
O ajuste que importa é o que acontece perto do acontecimento, não o que é registrado num formulário semestral. Ernesto Kenji Igarashi nota que o feedback perde valor com o tempo. Fundado nisso, o que corrige de imediato educa; o que chega meses depois apenas registra o que já não dá para mudar.
Julgar a pessoa e ignorar o sistema
A armadilha mais injusta é atribuir ao indivíduo um resultado que o sistema produziu. Um operador que falha porque foi treinado às pressas, escalado além do limite ou deixado sem equipamento adequado não é um mau profissional: é o sintoma de um processo quebrado. Avaliar a pessoa sem avaliar as condições que ela recebeu produz o culpado errado e mantém a causa real intacta.
Sendo especialista em segurança institucional e proteção de autoridades, Ernesto Kenji Igarashi alude que boa parte do que se rotula como erro humano é, na origem, erro de planejamento. Uma avaliação madura separa o que dependia da pessoa do que dependia da estrutura, porque punir o sintoma nunca cura a causa.
A melhor avaliação é a que muda o comportamento antes do resultado
Uma avaliação existe para melhorar o que vem depois, não para carimbar o que já passou. Se ela apenas classifica pessoas em melhores e piores sem apontar o que muda na prática, cumpriu função de arquivo, não de gestão. O indicador só vale se, ao ser lido, a equipe souber exatamente o que fazer diferente amanhã.
Medir é fácil. Medir a coisa certa, de um jeito que a equipe entenda e melhore, é o trabalho de verdade. E é nesse ponto que a maioria das avaliações, cheias de números e vazias de direção, ainda tropeça.