Paulo de Matos Junior entrou no mercado de criptoativos em 2017, quando o setor ainda era tratado com ceticismo pela maior parte do sistema financeiro tradicional. Empresário do segmento financeiro com atuação nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, ele construiu sua trajetória em um ambiente sem regras claras, sem supervisão formal e sem o respaldo institucional que a norma do Banco Central, publicada em novembro de 2025, veio finalmente estabelecer.
Esses quase oito anos de mercado ensinaram lições que nenhum manual regulatório consegue condensar. A volatilidade extrema, os colapsos de plataformas sem governança, a ausência de proteção ao investidor e a convivência com agentes de perfis completamente distintos formaram um repertório prático para interpretar o momento atual do setor.
Um mercado que cresceu mais rápido do que suas regras
Conforme observa Paulo de Matos Junior, um dos traços mais marcantes do mercado de criptoativos em seus primeiros anos foi a velocidade com que o volume de transações e o número de participantes cresceram em relação à capacidade das estruturas de governança de acompanhar esse ritmo. Exchanges surgiam e desapareciam, projetos captavam recursos sem qualquer obrigação de transparência e o investidor navegava sem instrumentos efetivos de proteção.
Nesse cenário, a experiência acumulada por quem permaneceu no mercado ao longo desse período tem valor estratégico considerável. Saber distinguir plataformas sólidas de estruturas frágeis, identificar riscos operacionais antes que se tornem perdas efetivas e compreender os ciclos do mercado cripto são competências que se desenvolvem na prática, e não apenas na teoria.

As lições do mercado sem regulação
Na visão de Paulo de Matos Junior, o período anterior à regulação foi simultaneamente o mais arriscado e o mais revelador para quem atuou com seriedade no setor. A ausência de regras formais exigia que cada agente construísse seus próprios critérios de avaliação de risco, seus próprios padrões de conduta e suas próprias estruturas de proteção ao cliente, sem qualquer garantia de que os demais participantes fariam o mesmo.
Daí decorre que os profissionais formados nesse ambiente desenvolveram uma capacidade analítica apurada, acostumados a tomar decisões em contextos de alta incerteza e baixa previsibilidade. Essa bagagem é o que diferencia quem apenas acompanhou o crescimento do mercado de quem efetivamente o construiu.
O que a regulação confirma para quem estava lá desde o início?
Como considera Paulo de Matos Junior, a norma do Banco Central não representa uma surpresa para quem atuou no mercado por quase uma década. A regulação era uma consequência inevitável do crescimento do setor, e os agentes que sempre operaram com critérios rigorosos de governança e transparência já praticavam, de forma voluntária, muito do que a norma agora torna obrigatório.
Em linhas gerais, o que muda para esses profissionais é o contexto institucional em que operam, e não necessariamente a forma como conduzem seus negócios. A regulação é, para quem sempre levou o mercado a sério, menos uma imposição do que um reconhecimento de que as boas práticas que nortearam sua atuação estavam no caminho certo desde o princípio.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez